Solitário Inconsciente Coletivo

Archive for the ‘Elas fazem arte’ Category

Ucraniana-francesa-pintora-estilista-figurinista-decoradora-mãe-esposa-pioneira-sagitariana-artista-plástica-feminina-femininsta-do-caralho. Nasceu em 1885 em Gradizhsk (prêmio simbólico para quem souber falar esse nome) pobre, pobre, pobre de marré e se chamando Sarah Stern. Em 1890 foi adotada pelo tio, um influente advogado judeu, e passou a ser Sonia Terk, que viajava de férias pela Europa para conhecer museus e um pouco mais de arte.

Aos 16 anos em St. Petersburg, as professoras já reparavam o talento da moça, que aos 18 já estudava arte na Alemanha. Primeira parada, escola de belas artes de Karlsruhe (outro prêmio simbólico para quem souber falar esse nome). Depois de ter acesso a muita teoria, resolveu por em prática de verdade seu plano de ser atista. Segunda parada, onde? Adivinha? Paris meu amor aqui vou eu!

 Em 1905 desembarca na cidade mais linda do mundo, e vai estudar na “Academie de la Palette” em Montparnasse, dizem as más línguas que ela gastou mais tempo nos museus de Paris do que em sala de aula. Seu primeiro casamento em 1908, com o então dono de galeria, artista plástico e gay Wilhelm Uhde, foi super importante, pois graças a essa união ela não voltou para Rússia, começou a expor seus trabalhos na galeria do marido como também conheceu seu segundo marido o então freqüentador assíduo do local Robert Delaunay.

Em 1910, casa com Robert e deixa a tinta de lado e passa a brincar com as cores em tecidos, bordados e babados. E graças a isso, surge em 1911 uma das primeiras obras abstratas da história, que hoje pertence a coleção Musée National d’Art Moderne em Paris. E qual é essa obra? Nada mais, nada menos do que a colcha de cama que ela fez para seu filho recém nascido, desculpa tá. Embora realizada segundo a técnica de um quilt tradicional, é trabalhada de acordo com as pesquisas dos contrastes simultâneos, método que a artista vai usar em toda a sua carreira (Nota: Ser mãe pode ser muito mais inspirador do que se pensa).

 

Junto com a fase mãe, vem a cavalo do cão. A então jovem Sonia começa a fazer tudo o que se possa imaginar, inspirada nesse estudo das cores, de capa de livro a abajours e óbvio muitas roupas. Ela trouxe a arte para o cotidiano, e de certa forma o cotidiano para a arte, porque em 1913 já fazia exposição dos seus objetos coloridos em Berlim.

 

E não satisfeita de ser dona de obras que inspiraram poetas, junto com Robert Delaunay ajudou a fundar um movimento artístico! O então batizado Orfismo, nada mais era do que trazer a alegria das cores, para o sisudo, austero e super intelectual, porém badalado Cubismo de Picasso, Braque, Gris e companhia. Os orfistas queriam a cor como principal fonte de expressão artística, estavam (inclua aí Marcel Duchamp) entre os primeiros a pintar obras totalmente não-figurativas, perseguindo uma suposta analogia entre a abstração pura e a música. Embora efêmero, o orfismo deu sua parcela de contribuição significativa para a arte, em especial a pintura alemã.

 

Figurino (Ballet Russo)

Como uma faz tudo que se preze Sonia Delaunay fez parceria com muitas pessoas e atuou e coloriu tudo o que o “colorir” lhe permitia, ela participou do movimento Dada e Surrealistas. E Levou essas influências para suas criações de roupas e objetos decorativos, como por exemplo, os vestidos bordados com poemas. Ela trouxe arte para o dia-a-dia, e ainda bem teve seu mérito reconhecido enquanto estava viva.

 

Homenagem da Vogue para a artista

 Quantos dos grandes artistas da atualidade podem se dar o luxo de dizer que beberam o champanhe servido no vernissage da sua exposição individual comemorativa organizada pelo LOUVRE?

 

Momento pessoal 1: Uma das obras abstratas mais importantes da história antes de parar no museu foi muito mijada .

Momento pessoal 2: Depois dela vou olhar com outros olhos aqueles tapetinhos coloridos horrendos que a minha mãe insiste em fazer com resto de malha colorida.

Momento pessoal 3: Meu momento inSueportável, passear por Montparnasse foi uma das melhores experiências que eu tive em Paris, entendo que ela não tenha conseguido ficar numa sala de aula.

“Estou entre duas culturas”

Ana Mendieta

Nada mais clichê do que começar um texto sobre alguém usando a frase do próprio, mas apesar do início, prometo, o clichê para aqui. Como? Como não ser clichê ao falar da obra de Ana Mendieta? Hype do hype do hype da arte contemporânea, afinal todo mundo a conhece pelo o fato da bunita usar seu próprio corpo para falar de:

 

  1. Mulher + Engajamento ao movimento feminista = a obras que envolvem vaginas, tetas, sangue animal e muita pena de galinha (não me perguntem porque, mas sangue e pena de galinha é tendência).
  2. Mulher + Nasci na terra do Vovô Fidel Castro + Me criei na terra do Tio Sam = aaaah vocês sabem, um monte de gente analisando e determinando que o vermelho é da menstruação a bandeira cubana.

 

E antes que torçam o nariz pra mim, vou logo avisando, quem não gostava de ver sua obra sendo reduzida a um amontoado de manifestos da vida de uma Mulher-Latina, era a própria, que coitada enquanto esteve viva só conseguia espaço em exposições só de mulheres ou só de artistas latinos. Em compensação depois que ela morreu, a sua irmã, não liberava nada, primeiro a reconheçam como uma artista, aí sim, lembrem-se que ela era uma mulher latina. Ainda bem, até porque a genialidade de Ana Mendieta vai além do gênero e da identidade cultural.

Então, agora chegou a minha vez de falar algo não clichê, coisa que eu prometi, e até agora não fiz. Ela literalmente fez parte do pilotão que revolucionou a arte contemporânea,  em todos os campos que ela atuava  da performance a fotografia, fazendo o que chamavam de “estruturas primárias”, “arte abc” ou até minimalista. Na verdade o que eles promoviam era literalmente um rebaixamento da estética, o que depois de algum tempo veio se chamar de arte conceitual, o que na arte pós-moderna, é quase tudo quiçá o tudo, afinal hoje, arte e teoria da arte (o conceito), são unha e esmalte vermelho em mão de puta, inseparáveis.

Eu quero lhes dizer que ela usou e abusou desse rebaixamento da estética, colocou ela literalmente no chão, principalmente na sua série inifinita e famosérrima chamada “Silhueta”, onde a bunita deixou seu lindo corpinho em tudo quanto é canto, do fogo ao gelo, da floresta ao asfalto, com póvora, com giz, com a mão, com açúcar e se duvidar até com a imaginação, por isso cuidado nesse exato momento o espectro da silhueta de Ana Mendieta pode estar aos seus pés.

Outra coisa pouco clichê (estou tentando) para falar era a forma dinâmica como ela se colocava diante da sua própria obra, por exemplo, o fato de que a partir de um momento ela retira os braços das silhuetas, foi a forma de tornar a obra em aberto, não definir, se distanciar. E sabe porque ela fez isso? Quando percebeu que as pessoas estavam fazendo interpretações e associações errôneas, em cima do que ela realmente queria falar, não era a relação da Ana e a Terra (mulher + identidade cultural = Clichê). Ana Mendieta fazia a linha do entendam-me, usava borracha e reescrevia sua arte, isso é foda!

“É primordialmente o nosso corpo ou, mais exatamente, a imagem do nosso corpo que nos impede de embarcar nos percursos místicos da não-dualidade, da não-separação, e da dissolução da identidade individual em uma identidade maior, cósmica

Sudhir

Bem, Sussu Ana Mendieta tentou quebrar com isso e acredito que conseguiu.

 

Momento Pessoal: Em homenagem (atrasada) pelo dia internacional da mulher, não falei que a Ana foi casada com o Carl Andre e que a coitada ficou mega famosa por isso, principalmente depois que ele foi acusado pela sua morte. Quer saber como ela morreu? Quer saber que fim deu essa história?Vai no google porque esse não é um blog de fofoca kkkkkkkkkk.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ela!

Coisas comuns como ter nascido numa família de classe média alta e ter sido educada para ser independente, poderiam não fazer grande diferença, caso nós não estivéssemos falando de Shirin Neshat, artista plástica iraniana. Que por sinal viu na arte a forma de fazer as pazes com a sua própria cultura. Segundo a mesma, seu pai romantizou tanto o ocidente que rejeitou seus próprios valores, e acabou diluindo sua identidade na porção de conforto encontrada do lado de cá.

Neshat saiu do Irã para estudar arte em Los Angeles, e fez tudo direitinho, cursou graduação e mestrado. Depois se mudou para Nova York e trabalhou na Storefront Art and Architecture e lá teve contato com um mundo de pessoas diferentes, parte importante na construção da sua arte de fazer arte. Foi então que cansada de tanta teoria, resolveu se dedicar ao outro lado da moeda, a prática, e em 1990 a boa filha a casa torna, neste caso o Irã.

Seu primeiro trabalho maduro é a série fotográfica intitulada “Women of Allah”, uma colcha de retalhos pós-moderno, retratada na força da delicadeza de mulheres mulçumanas. Mas é quando a imagem se junta ao movimento, que Neshat encontra seu lugar como mais uma estrela, a brilhar no céu da arte contemporânea.


Cena de Women wihtou man

Seus vídeos são indiscutíveis quanto à discussão a cerca da convivência complexa entre os opostos no mundo de hoje, pegando como pano de fundo, óbvio, a sua própria cultura. Relação homem e mulher, claro e escuro, preto e branco, estática e movimento são a essência do trabalho desta artista.

Turbulent

No vídeo “Turbulent” quando se apropria do espaço de exibição e põe duas telas em lados opostos, obriga o expectador a escolher seu campo de visão, seu foco de atenção e conseqüentemente a sua narrativa. Brincando discretamente com a relação artista X expectador, num convite à sua participação na montagem da obra que lhe foi apresentada. Ou quando reúne vídeo e fotografia, estático e dinâmico, na vídeo- instalação “Zarin”.

No seu currículo, podem-se acrescentar alguns prêmios importantes como a Bienal Internacional de Veneza de 1999, com “XLVIII Turbulet and Rapture” e o Leão de Prata por melhor direção no Festival de Veneza em 2009 por “Women without men”, que a própria descreve como um trabalho de amor por seis anos e que fala para o mundo e também para o seu país.

cena de Women without men

País este que ela defende a qualquer custo, com direito a protestos como greve de fome na sede das Nações Unidas. E também faz questão de redefinir para o mundo, quando diz que tenta com sua arte “desembaraçar a ideologia do Islã”. E é aí que usando a sua arte ela tenta dar liberdade a prisão cultural iraniana, quase sempre estereotipada por nós.

Momento Pessoal: Até na hora da frescura a Neshat quer ser engajada, tanto é que no festival de Veneza ela pisou o tapete vermelho dentro de um longo verde belíssimo, detalhe, essa é a cor símbolo da oposição iraniana, tá meu bem?

Ser mulher é complicado, fato, ser mulher e negra na África do Sul, pior ainda, e foi na busca do resultado dessa complexidade na produção artística feminina, no mais velho dos velhos mundos, que cheguei a Tracey Rose, formada pela escola de arte de Joanesburgo, ganhou completamente meu respeito quando disse: “Quando você faz uma obra de arte não está apenas fazendo algo naquele momento, está contribuindo para toda uma história”.

Falando em história, o sinal de fumaça enviado das fogueiras de sutiens queimados na década de 70, por nossas tão queridas feministas, foi recebido com menos fervor pelas mulheres africanas. Afinal, elas estavam muito ocupadas com a recém independência de alguns estados, e óbvio Apartheid. Resultado é que na década de 90 a cada 38 segundos uma mulher é violentada na África do Sul.

O que fazer? Chutar um pau, nem que seja o da barraca, e é com essa intenção que Tracey entra no mundo da arte contemporânea. Com o vídeo-instalação super falado “TKO” ou o vídeo “Love me, fuck me”, ela mostra essa luta desleal que as mulheres enfrentam contra o inimigo invisível. Em The Kiss ou The Thinker (a estatueta foi encontrada no lixo), ironiza o estabelecido, assim como em “Fur Lucie”, onde tenta recontar uma história bem conhecida, de que história estou falando? A Bíblia!

Fur Version 1:1:1 - La Messie

Essencialmente conceitual como ela mesma se define, Tracey está a fim de quebrar regras meeeesmo, e desafia inclusive o mercado, pois dá a obra ou ao conceito o tempo que precisar para ser elaborado, e isso quase nunca é menos do que dois anos. Já deixou de participar de exibições em galerias por perceber que certos curadores tratam seu trabalho como simples bens de consumo, a moça é super engajada.

Momento pessoal: Ela entrou na minha lista das “que me levaram as lágrimas”, por Span II (Foto acima), uma instalação onde a mesma nua e careca ficava dentro de uma caixa de vidro, tentando remendar seus próprios cabelos. Se você riu ao ler isso, volte e leia de novo, dessa vez usando o cérebro. A nudez na caixa transparente é a mais perfeita representação da fragilidade, e o cortar os cabelos, assim como Frida Kahlo em seu “Auto-retrato com cabelo cortado”, é a negação da feminilidade, que muitas vezes nos é necessária como forma de proteção, e no caso de Tracey vai mais além, afinal o cabelo também tem uma função de identidade racial. Pra mim Span II é mostrar de frente ao mundo, que mesmo estando completamente desprotegidas, elas tentam, por mais inútil que isso pareça se afirmar como mulher e negra no mundo que as vira a costa.

Apesar de não ser necessariamente artista, a arte moderna não seria a mesma sem ela, por isso, poucas mulheres fizeram mais artes do que Peggy Guggenheim, sobrinha de Solomon Guggenheim grande colecionador de arte, e criador da fundação Guggenheim. Que por causa deles o museu Guggenheim de Nova York se chama Guggenheim (A repetição foi proposital, adoro falar Guggenheim).

Tudo começa quando a pequena Peggy, com 14 anos, perde seu pai um empresário bem sucedido, no naufrágio que levou junto também o Leonardo DiCaprio e mais milhares de figurantes, todos ao som de Celine heDionda no naufrágio do Titanic em 1912. E quando ela disse: “Suponho que nunca me recuperei realmente, pois desde então procurei um outro pai”, justificou os meios e os fins de toda a sua história.

Com dinheiro no bolso, jovem e se sentindo abandonada, o caminho provavelmente seria o lado negro da força, e foi à busca por boas companhias para dividir whisky e batata-frita (itens sempre presentes em suas festas) que Peggy Guggenheim cai nos encantos do mundo das artes e/ou dos artistas.

Década de 20, feminista, um pouco rica, querendo farra e muita arte, pra onde será que ela decide ir morar? Paris, óbvio, e lá na companhia do paupérrimo Marcel Duchamp (Foto acima) começa sua entrada triunfante ao mundo das artes, ele não só a apresenta as pessoas como também passa horas divagando sobre conceitos, estilos e a tua mãe também (NOTA: que chato deveria ser ouvir Duchamp).

Já em 1938 se muda com seu então marido o escultor e escritor Laurence Vail para Londres, onde junto com Jean Cocteau (foto acima) abre sua primeira galeria, com direito a exposições de Jean Cocteau, Kandinsky, Picasso, Alexander Calder, Max Ernst, George Braque, John Tunnard, Constantin Brancusi e mais algumas estrelas do céu modernista.

Depois de perceber que a galeria mesmo famosa não dava lucros, resolveu investir no projeto de ter um museu, e com o objetivo de comprar um quadro por dia, ela começa de verdade a sua coleção e a patrocinar muitos pintores. E na eterna busca de um pai, Guggenheim acaba sendo a grande mãe, alguns estudiosos chegam a afirmar que o Cubismo, Surrealismo e Expressionismo Abstracto só foram possíveis graças as suas “tardes de compras”.

Resultado da feira realizada: 10 Picassos, 10 Ernsts, 48 Mirós, 4 Magrittes, 3 Man Rays, 3 Dalís, 1 Klee, 1 Wolfgang Paalen, 1 Chagall e mais outras coisinhas. Tudo para o novo espaço que ela estava preparando para abrir em Paris, mas que foi cancelado por conta da invasão Alemã.

Como uma boa judia, ela sai de fininho da Europa e  volta pra Nova York,  e em 1942 abre o The Art of This Century Gallery. Outra galeria, outro marido, dessa vez Max Ernst. O espaço tinha 3 galerias, sendo que duas eram apenas para exposição de obras cubistas e surrealistas e apenas uma para o comércio propriamente dito. E graças a esse espaço, gente como Pollock (meu pintor preferido e ao lado dela na foto) pode trabalhar em paz, e os abstratos enfim ganharam forma.

Mas como alegria de pobre e de artista dura só um capítulo e não o livro todo, ao divorciar-se de Max, em 1947 ela fecha a galeria, e volta para a Europa, em especial a Itália, onde vai viver pra sempre, e passa a trabalhar na divulgação da sua coleção. Trabalho muito bem feito visto que seu acervo já foi exibido por todos os grandes museus da Europa, América Latina e EUA, e hoje o Peggy Guggenheim Collection, é um dos museus mais importantes da Itália.

Se eu fosse seguir a ordem certa agora seria o parágrafo sobre a reta final da vida da bunita e sobre sua morte solitária em Veneza, mas não, a mulher que lançou Pollock, sustentou o Surrealismo, foi amiga intima do Duchamp e tinha verdadeira adoração por óculos escuros, não merece ter essa parte da vida contada, pelo menos não por  mim.

Momento Pessoal1: Pollock me trouxe a Peggy, e a biografia da Peggy me trouxe a mim mesma, pois a ficha técnica dela segundo biógrafos e amigos era: sem muita auto-estima, complexa, contraditória, afundada na melancolia e em seguida na entrega desmedida ao riso. Algumas vezes agressiva, mas para os amigos a generosidade era inquestionável. Na verdade no intimo não passssou de uma menina que sempre procurou o amor.

Momento Pessoal 2: Clique aqui e dê uma passeadinha pela casa/museu/paraíso de Peggy Guggenheim, sem precisar ir a Itália.  É o prêmio pra quem leu até o final.

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Transgressora, subversiva, imoral, narcisista e sem sombra de dúvidas uma artista que faz jus a época que vive, Elke Krystufek (foto acima) é uma filha pródiga da pós-modernidade, utilizando todas as mídias possíveis, para falar quase sempre do mesmo assunto, ela.

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Hoje com 39 anos, essa artista plástica austríaca dá o que falar por onde passa, com um trabalho denso e uma assinatura única, faz do sexo explicito uma arma perfeita para as balas de sublime hegeliano (Nota: mais uma dessas coisas que eu aprendi um dia desses e adoro usar pra me sentir inteligente) que atingem qualquer um em cheio.

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Bem, se para descrevê-la não poderão faltar as palavras sexo e Áustria, é óbvio que Egon Shiele também tem seu lugar nessa lista. A influência do artista vai além da temática, e a comparação inclusive no traçado é inevitável.

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Mas nem só de Shiele vive a bunita, outra grande influência são os não muito comportados Günter Brus e Hermann Nitsch do movimento Viennese Actionism, que mamou diretamente nas tetas das action art (Ex: performance, happening…). Então Elke, me diz com quem tu andas que eu direi quem tu és?

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Vagina e violência pra todo lado, nas telas, na TV ou pessoalmente (aqui estou falando de masturbação em público), mas enganam-se os que pensam que é só isso, nada, seus trabalhos são a representação do movimento, telas hiperativas! Numa espiral de cores, formas e palavras que começa com ela, e termina em nós.

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Essa Frida Kahlo Pós-Estruturalista (inteligente de novo!), diz o que tem que ser dito, mostra o que ninguém quer ver, e desperta nossa tão adorada hipocrisia. É reconhecidamente uma grande artista, com direito a um pavilhão inteiro na bienal de Vienna e nome confirmado na lista do Museu de Arte Moderna de Paris. Então tu que torces o nariz, ou mesmo questiona a qualidade dos trabalhos, ACORDE pro século XXI, onde estamos cagando pro sorriso da Monalisa, a gente quer mesmo é a piriquita da Elke Krystofek!

pompidouNota Pessoal: Já vi obras da artista, e a única coisa que eu posso dizer é que são um tsunami de sensações, um deles me levou as lágrimas (foto acima), pela força do seu desenho e das palavras, eu não fui mais a mesma depois de vê-la, e pra mim, isso é arte. Eu vou fundo nos fundilhos dela.

Nova categoria do blog! Aqui vou falar de um dos assuntos que mais me agrada nos últimos tempos, a participação feminina no mundo das artes. E pra começar Yayoi Kusama.

a bunita

Yayoi Kusama (Foto acima) é considerada uma das maiores artistas plásticas da atualidade, e arrisco a dizer a rainha da Pop Art. Ela se define como uma artista obsessiva, isso facilmente é observado nos seus trabalhos, que mesmo sofrendo influências de várias escolas que vão do Expressionismo Abstrato a Pop Art (a mais evidente), todos tem em comum a repetição, o acúmulo, um padrão, mesmo que a priori pareça caótica.

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Sua maior inspiração? Loucura! Sua doença mental é sem sombra de dúvidas a sua galinha de ouro, a própria afirma que seus trabalhos são obra das alucinações que sofre desde criança, foi a forma que ela encontrou de mostrar aos outros as coisas que só ela via, em especial os pontos, que estão espalhados por toda parte, recobrindo tudo e até ela mesma.

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Enfim, depois dos pontos estarem não só em cima dos “is”, o ponto de partida para que ela se estabelecesse de uma vez por todas, foram as inúmeras correspondências trocadas com a artista americana Geórgia O’Keeffe, que ajuda a jovem Kusama com então 27 anos a ir para as Américas.

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Como artista em Nova York entre as décadas de 50 e 70 ela fez de um tudo de happenings (NOTA:descobri um dia desses o que era isso, e estou me sentindo muito inteligente de poder usar kkkkk) no Central Park, envolvendo nudez e protestos contra a guerra do Vietnam a exibições junto com artistas como Andy Warhol e Jasper Johns. E quando a coisa realmente começa a pegar fogo por lá, ou seja, na década de 70, em 1973 ela volta para Tokyo onde se interna (por conta própria) em um hospital psiquiátrico para tratar sua doença, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) por pontos. E atualmente aos 79 anos, e a mais de trinta internada, tem seu estúdio nas proximidades do hospital e continua fazendo deliciosas contribuições pontuais a arte contemporânea.

paris

Momento Pessoal 1: Vi pessoalmente duas obras da artista, a primeira, despontuada, transpirava loucura (Foto acima), um louco reconhece outro facilmente. Já na segunda vez tive o prazer quase histérico das alucinações com pontos, pontos, pontos e mais pontos (Foto abaixo), ao ponto de eu não me controlar e ligar na mesma hora pro ponto mais importante do meu ponto de vista.

londres

Momento Pessoal 2: Enquanto estava pesquisando pra escrever, li que até hoje por conta do seu TOC-grau máximo, ela só usa roupas com pontos, já pensou dar  uma camisa listrada de natal pra Yayoi Kusama?


Fotografia: Alyz Tale

Eu?

Freud explicaria...

Quando?

Fotografia: Julie De Waroquier
Fotografia: Julie De Waroquier
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