Solitário Inconsciente Coletivo

Archive for the ‘Diário de Bordo’ Category

Sweet  homeTijolos vermelhos por toda parte, sim, o céu é cinza, demora pra escurecer e rápido amanhece. Tenho câimbra e dor na costa. No trabalho muitas estrelas e um único céu, na rua, quase sempre um sorriso gratuito, em casa, ambiente fraternal, dessa vez eu ganho café na cama, quer dizer, chá com leite e pãozinho do Morrisons, como viverei sem o Morrisons? Já viciei. Indiano time over do inferno, me roubou 1 pound e a oportunidade de dizer tchau, chuva, cheiro diferente, pessoas diferentes, e mal cheiro igual em pessoas diferentes.

 

Ainda não tirei foto na cabine telefônica e nem do ônibus, dois andares, mas os vejo todo dia.  Acabou a pilha da máquina quando eu estava pilhada a caminho do Victoria, chorei ao ver o Rafael, chorei ao me ver ali, entre os Rafael, de lá já sei voltar pra casa. De lá já sei sair pra alguns lugares, entre eles, Morrisons. Adoro ver a placa Newton Avenue quando meu calcanhar reclama, ando muito, tenho muita câimbra, preciso de sapatos novos, minha coluna nunca doeu tanto, a cama é mole demais, hoje vou dormir no chão…aqui não tem ponstan.

 

Tem o Chris sempre arrumado, de gravata, cheiroso e sorridente, toca Miles Daves no piano e me abraçou de manhã quando eu disse não ter dormido porque sonhei com o godzila tentando me matar, eu ainda tenho pesadelos, insônia e ainda sinto meu coração bater. Tem também Ana, a falante trilingue, toca flauta, fala sobre doenças emergentes com as mudanças climáticas, me dá dicas e fala vamos nadar na pixina! Ângela a mãe de todos, faz massa, e nos dá bolinhos com creme, adora assistir quem quer ser um milionário, odeia mosquitos, dança na cozinha, vai todo dia a missa, e nunca está cansada, segundo ela própria. Quando eu saio sempre pergunta, onde está seu agasalho? Do corpo? Na mochila. Do coração? Não tenho…Será que vende no Morrisons?  

 

Na rua, homens de várias categorias que merecem um post a parte e ilustrado, óbvio, muitas Kates Moss, mulheres de burca, Mayas e Amy Winehouses, vixi esse tipo aqui tem de quilo! Quando o metro avisa South Kensington station…O Olimpo se abre, os números falam por si só, 70 milhões de fósseis depositados, séculos de história e tradição, a estatua do Darwin no hall de entrada pisca pra mim, eu tenho certeza, olho pra ele e digo “oi boy”.

 

Tudo lá é grande, mas é um grande maior, do que o que eu conhecia por grande, seria o imenso? Todo dia eu me perco, minha memória e meu senso de direção não acompanham o lugar, dobrei no lugar certo? É esse o andar? Tem cartão com senha pra abrir porta, chave especial, porta que se abre automaticamente e porta que só pode passar em caso de incêndio, porque ela apita…morro de medo de sem querer passar por uma porta dessas. No fim do dia chegar em casa, jantar saladinha,  fechar a janela, por que não me acostumo de ver o céu claro as nove da noite, ficar embaixo do edredon, morrer de saudade de algumas pessoas, coisas, meus gatos. Saudade dos cheiros que me fazem respirar a vida que eu escolhi pra passar a maior parte do tempo.

Natural_History_Museum_London_Jan_2006

A ciência de verdade mora no espaço entre dois pontos de interrogação.

Dizem que a Ciência pode nos transformar em Deuses antes mesmo de podermos ser chamados de humanos,  se eu concordo ainda não decidi, mas que tenho a sensação de estar a caminho do Olimpo, isso eu tenho.

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Fotografia: Natural History Museum (Meu Olimpo)


Fotografia: Alyz Tale

Eu?

Freud explicaria...

Quando?

Fotografia: Julie De Waroquier
Fotografia: Julie De Waroquier
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