Solitário Inconsciente Coletivo

Elas fazem arte: Yayoi Kusama

Publicado por: suecosta em: Novembro 6, 2009

Nova categoria do blog! Aqui vou falar de um dos assuntos que mais me agrada nos últimos tempos, a participação feminina no mundo das artes. E pra começar Yayoi Kusama.

a bunita

Yayoi Kusama (Foto acima) é considerada uma das maiores artistas plásticas da atualidade, e arrisco a dizer a rainha da Pop Art. Ela se define como uma artista obsessiva, isso facilmente é observado nos seus trabalhos, que mesmo sofrendo influências de várias escolas que vão do Expressionismo Abstrato a Pop Art (a mais evidente), todos tem em comum a repetição, o acúmulo, um padrão, mesmo que a priori pareça caótica.

ponto1

Sua maior inspiração? Loucura! Sua doença mental é sem sombra de dúvidas a sua galinha de ouro, a própria afirma que seus trabalhos são obra das alucinações que sofre desde criança, foi a forma que ela encontrou de mostrar aos outros as coisas que só ela via, em especial os pontos, que estão espalhados por toda parte, recobrindo tudo e até ela mesma.

ponto2

Enfim, depois dos pontos estarem não só em cima dos “is”, o ponto de partida para que ela se estabelecesse de uma vez por todas, foram as inúmeras correspondências trocadas com a artista americana Geórgia O’Keeffe, que ajuda a jovem Kusama com então 27 anos a ir para as Américas.

ponto3

Como artista em Nova York entre as décadas de 50 e 70 ela fez de um tudo de happenings (NOTA:descobri um dia desses o que era isso, e estou me sentindo muito inteligente de poder usar kkkkk) no Central Park, envolvendo nudez e protestos contra a guerra do Vietnam a exibições junto com artistas como Andy Warhol e Jasper Johns. E quando a coisa realmente começa a pegar fogo por lá, ou seja, na década de 70, em 1973 ela volta para Tokyo onde se interna (por conta própria) em um hospital psiquiátrico para tratar sua doença, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) por pontos. E atualmente aos 79 anos, e a mais de trinta internada, tem seu estúdio nas proximidades do hospital e continua fazendo deliciosas contribuições pontuais a arte contemporânea.

paris

Momento Pessoal 1: Vi pessoalmente duas obras da artista, a primeira, despontuada, transpirava loucura (Foto acima), um louco reconhece outro facilmente. Já na segunda vez tive o prazer quase histérico das alucinações com pontos, pontos, pontos e mais pontos (Foto abaixo), ao ponto de eu não me controlar e ligar na mesma hora pro ponto mais importante do meu ponto de vista.

londres

Momento Pessoal 2: Enquanto estava pesquisando pra escrever, li que até hoje por conta do seu TOC-grau máximo, ela só usa roupas com pontos, já pensou dar  uma camisa listrada de natal pra Yayoi Kusama?

Divino!

Publicado por: suecosta em: Outubro 27, 2009

O SOL!

Não tenho a menor dúvida, minha salvação foi obra do Divino! Eu não sei, não acredito muito nele, uma vez eu o peguei dormindo na portaria, o Divino às vezes finge que nos protege.

 

Fotografia: Sue Costa

Requentado do antigo Sic: Faça Você mesmo!!!!

Publicado por: suecosta em: Setembro 29, 2009

jakub mazan

Existem assuntos que a maioria das pessoas insiste em ignorar, como esse blog não é escrito e nem lido por pessoas da maioria, a bola da vez é um desses. Errou quem pensou que o tema do post era o misterioso relacionamento entre mulheres e privada, esse fica pra próxima. Na verdade vamos falar é de PUNHETA vulgo masturbação!

Bem, como uma boa pesquisadora verifiquei bibliografia especializada, para definir exatamente o que seria punheta, e acreditem, em dois dicionários (que eu tinha em casa) a palavra simplesmente não existe. No primeiro, um mega-grosso com não sei quantos zilhões de verbetes, não há punheta, mas tem punhete! Que eu já defini como a sua irmã mais nova e travesti, mesmo significando apenas uma espécie de luva. O segundo dicionário foi pior, já que é o filho do todo poderoso, no dicionário escolar do senhor Aurélio, nada também. Uma enorme falha, levando em consideração que é exatamente na idade escolar que se descobrem os benefícios do “com as próprias mãos”, papai esqueceu de ensinar uma lição muito importante para seu filinho, tcs, tcs, tcs.

Esqueçamos os significados e vamos ao que interessa, ela é o acalento, quebra galho, ela não dá espinhas, não faz crescer pelos na mão, sem contra indicações, ela é auto-conhecimento (momento revista feminina) e o melhor ela é fiel e pra sempre! (revista feminina PARTE II). Como citado acima, eu, pessoa do tipo pode-puxar-o-assunto-que-eu-falo-sem-problemas, tenho um vasto arquivo de causos punheteiros. Uma das formas preferidas de puxar o assunto é com a clássica pergunta da enquete “Você já bateu punheta no seu trabalho?” Incrível, 99,99% dos homens (dentro do meu universo) dizem sim contra os míseros 0,36% das mulheres! Logo, segundo a minha pesquisa, este resultado diz que punheta no trabalho é um comportamento tipicamente masculino, se você conhece mulheres que fazem isso, desconfie, se elas jogam bilhar bem e adoram Ana Carolina, tenha certeza.

Apesar de que, para um punheteiro profissional o lugar pouco importa ATENÇÃO ESSA HISTÓRIA É VERÍDICA, SÓ NÃO CITAREI NOMES PORQUE GRAÇAS AO BOM DEUS EU NÃO OS LEMBRO. Quem foi nos meados da década de 90, em uma feira sobre profissões dentro do maior shopping da querida Belém do Pará, teve a oportunidade de ir ao stand do curso de Biologia (no qual eu participava) e se maravilhar com microscópios apresentando espermatozóides vivos numa placa de Petri. Mal sabiam que estes eram abastecidos por um grupo de meninos que ficavam indo toda hora no banheiro, no estacionamento ou sei lá aonde, tudo para prover a grande atração, já que os pobres logo morriam e perdiam a graça. Fica aqui minha declaração que já no final do dia eu estava com um pouco de preconceito misturado com pena dessas pessoas.

Já vi gente batendo punheta no transito no meio de um engarrafamento, detalhe, o carro não era peliculado, e eu no ônibus, tive uma participação ativo-passiva na gozada do infeliz, que óbvio era feio de doer, se fosse bonito eu tinha descido na hora e agradecido à gentileza. Um cara já veio bater punheta do meu lado no cinema, e o filme era Bridgite Jones! Pode? Eu mereço? Um amigo já me advertiu cocaína, cigarro e punheta é uma combinação fatal, no meio da chapação ele pos a cobra pra fumar e aí fudeu, porque ele não fudeu por um bom tempo, e enquanto isso a namorada fudeu com outro.

 Conheço pessoas que batem punheta 3 vezes ao dia, e fazem apenas 2 refeições, ou seja ele goza mais do que come! (Nota da escritora: Esse é o sonho da minha vida). Outros que não gostam de bater punheta regularmente, segundo o próprio, enjoa, a única coisa que eu consegui falar depois de ouvir isso foi “Se tu não consegues fazer sexo contigo mesmo, imagine os outros?” E pessoas que fingem orgasmos pra si mesmo, por pura preguiça de continuar!!!! Enfim… nós e as nossas relações, mas não importa, onde, quando e como, então só me resta a pergunta que não quer calar: você já bateu a sua hoje?

 

Fotografia: Jakub Mazan

A lavagem.

Publicado por: suecosta em: Setembro 4, 2009

room115

Nenhuma manhã de domingo seria mais a mesma depois daquela noite de sábado. Ela acordou com a sensação de alma a vácuo, por saber que a única coisa que restava dele era o teimoso cheiro no travesseiro esquerdo. Levantou-se para o maior ato de dignidade em certas ocasiões, foi pro banheiro e lavou a cara. Lá se foram misturadas à água da torneira, litros de dor materializada, lágrimas. Desceram o ralo tão rápido quanto desciam dos olhos. E juntaram-se com a sobra da lavagem de pratos do almoço especial do 615, futuro casamento do filho mais velho e um motivo para a tediosa existência da sua mãe. Encanamento abaixo lágrimas, lasanha, a terra vinda do parquinho pelas mãos das crianças, a espuma da banheira do apartamento secreto dos amantes, o escarro do velho moribundo, a água do miojo do rapaz solitário, o suor de trabalho, de sexo, de ginástica ou só de calor e assim todos contribuem com o que pode para formar o que restou de nós. Que sempre em frente, dentro de tubos, em curvas e descidas segue na espera de enfim desembocar, e o que tiver que sedimentar que sedimente, para ficar guardado no maior baú de lembranças do mundo, o fundo do mar.

Fotografia: John Fletcher

Qualquer um

Publicado por: suecosta em: Agosto 24, 2009

untitled

Um homem comum que nada tem a oferecer a outrem que não seja banalidades esquecíveis numa tarde monótona. Esse sou eu. Sem brilhantismos, sem grandes histórias, sem grandes conhecimentos, nada, sou uma reta, lisa e branca. No passado nada significativo pra que fosse lembrado, não fui triste e nem feliz, das fases da minha vida fiquei só com os substantivos que nunca mereceram qualquer adjetivo. Futuro? Me dê o próximo minuto e estou satisfeito, como qualquer um habitante desse mundo chamado senso comum, quero casa, emprego e um relacionamento, todos rodeados de classificações generalistas, salvação dos que assim como eu, fogem do comprometimento e risco de se querer algo em especifico. Não sou pessimista, sou alguém que se tocou que deixou o rumo da sua vida se perder na maré da facilidade de se viver como qualquer um, e quando os rumos nesta se perdem, acabam se achando em algum outro lugar do qual você não esperava ir. Mas enfim, tudo bem, afinal qualquer lugar pode ser o lugar pra qualquer um.

 

Tela: Magritte

Impressões sobre elles@centrepompidou

Publicado por: suecosta em: Agosto 9, 2009

3283-1

 Mulher gosta de ser mulher, de casa, boneca, de ter filhos, cor de rosa e nu. De ver as coisas quase ditas, quase prontas e quase arrumadas, sem nada disso terminar no quase, mulher gosta de dar nome aos bois e as vacas, e fingir que nada disso importa. Mulher perde sangue, a paciência e o tesão, mistura menos cores, trabalha menos as formas, mulher se preocupa mais com a forma do seu próprio corpo do que com a dos outros. Mulher não gosta de fazer mulher perfeita, a não ser que seja no olhar, mulher gosta de olhar que diz alguma coisa que normalmente só outra mulher entende. Mulheres se entendem e desentendem quando se juntam. Mulher faz do anormal, normal, do infantil, adulto, do foi, é. Quer ser centro das atenções, então muita coisa é grande, ou espalhada no chão, por toda parte há uma parte do todo. Mulher quer ganhar espaço, se instalar na sala, nas roupas, nas peles. Dizer que não existe exatamente mulher, espaço, verdade, tempo…que não existe mais nada. Mulher sabe fechar a porta, a caixa e a cara, mas também sabe abrir o verbo, a janela, a lente e principalmente o coração. Mulher gosta de falar de mulher, mulher prefere os espelhos a janelas.

 

E no meio de todas elas, Frida, como sempre falando de si mesma e ao mesmo tempo de todas nós. Mulher é tudo mulher.

Publicado por: suecosta em: Agosto 1, 2009

Cartaz

O longo cozimento do tempo faz de alguns erros inalteráveis, a esses chamamos verdades…

Pouco pra não errar o ponto.

Imagem: Sue and Petty Please

Entrelaços

Publicado por: suecosta em: Junho 27, 2009

 

DSC01370

São nos teus braços, que ficarei quando a noite chegar, verei a luz do sol por entre as frestas do teu cabelo, e me refrescarei na brisa da tua respiração. Cada centímetro de pele em fronteira contigo. Ó rainha de terras vizinhas! Abrigue-me em seu reino, pois o melhor de mim está nas tuas cercanias. Cavaleiro de armadura encantada, não percebes? meu reino todo descansa na sombra do teu escudo e no brilho de tua espada.

 

Fotografia: Sue Costa

Josefina

Publicado por: suecosta em: Junho 25, 2009

Princesa de Dom Quixote -CR Leslie

Josefina era assim, moça do interior, e do interior de uma família rígida, resumindo, calada e submissa. Quando chegou na casa da Madame pedia licença até para respirar, pobre Josefina. Comeu o pão que o diabo amassou, assou e repartiu com a unha comprida do dedo mindinho. Levou tapão por causa de prato, cabo de vassoura na cabeça por mancha na saia, calote e demissão por justa causa, não aprendia nada direito, pobre Josefina. Depois de tanto errar de tentar fazer o certo, acertou de primeira no errado, mas foi num instante que aprendeu a dizer vai pracasadocaralho, 50 reais o pograma e no cu só com vaselina, de pobre, hoje em dia nada tem a Josefina.

 

Fotografia: Sue Costa – Tela óleo de Leslie – Victoria&Albert Museum

Diário de bordo parte 2: A primeira impressão

Publicado por: suecosta em: Junho 19, 2009

Sweet  homeTijolos vermelhos por toda parte, sim, o céu é cinza, demora pra escurecer e rápido amanhece. Tenho câimbra e dor na costa. No trabalho muitas estrelas e um único céu, na rua, quase sempre um sorriso gratuito, em casa, ambiente fraternal, dessa vez eu ganho café na cama, quer dizer, chá com leite e pãozinho do Morrisons, como viverei sem o Morrisons? Já viciei. Indiano time over do inferno, me roubou 1 pound e a oportunidade de dizer tchau, chuva, cheiro diferente, pessoas diferentes, e mal cheiro igual em pessoas diferentes.

 

Ainda não tirei foto na cabine telefônica e nem do ônibus, dois andares, mas os vejo todo dia.  Acabou a pilha da máquina quando eu estava pilhada a caminho do Victoria, chorei ao ver o Rafael, chorei ao me ver ali, entre os Rafael, de lá já sei voltar pra casa. De lá já sei sair pra alguns lugares, entre eles, Morrisons. Adoro ver a placa Newton Avenue quando meu calcanhar reclama, ando muito, tenho muita câimbra, preciso de sapatos novos, minha coluna nunca doeu tanto, a cama é mole demais, hoje vou dormir no chão…aqui não tem ponstan.

 

Tem o Chris sempre arrumado, de gravata, cheiroso e sorridente, toca Miles Daves no piano e me abraçou de manhã quando eu disse não ter dormido porque sonhei com o godzila tentando me matar, eu ainda tenho pesadelos, insônia e ainda sinto meu coração bater. Tem também Ana, a falante trilingue, toca flauta, fala sobre doenças emergentes com as mudanças climáticas, me dá dicas e fala vamos nadar na pixina! Ângela a mãe de todos, faz massa, e nos dá bolinhos com creme, adora assistir quem quer ser um milionário, odeia mosquitos, dança na cozinha, vai todo dia a missa, e nunca está cansada, segundo ela própria. Quando eu saio sempre pergunta, onde está seu agasalho? Do corpo? Na mochila. Do coração? Não tenho…Será que vende no Morrisons?  

 

Na rua, homens de várias categorias que merecem um post a parte e ilustrado, óbvio, muitas Kates Moss, mulheres de burca, Mayas e Amy Winehouses, vixi esse tipo aqui tem de quilo! Quando o metro avisa South Kensington station…O Olimpo se abre, os números falam por si só, 70 milhões de fósseis depositados, séculos de história e tradição, a estatua do Darwin no hall de entrada pisca pra mim, eu tenho certeza, olho pra ele e digo “oi boy”.

 

Tudo lá é grande, mas é um grande maior, do que o que eu conhecia por grande, seria o imenso? Todo dia eu me perco, minha memória e meu senso de direção não acompanham o lugar, dobrei no lugar certo? É esse o andar? Tem cartão com senha pra abrir porta, chave especial, porta que se abre automaticamente e porta que só pode passar em caso de incêndio, porque ela apita…morro de medo de sem querer passar por uma porta dessas. No fim do dia chegar em casa, jantar saladinha,  fechar a janela, por que não me acostumo de ver o céu claro as nove da noite, ficar embaixo do edredon, morrer de saudade de algumas pessoas, coisas, meus gatos. Saudade dos cheiros que me fazem respirar a vida que eu escolhi pra passar a maior parte do tempo.

Eu?

Freud explicaria...

Quando?

 

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Quantos?

  • 5,705 hits