Publicado por: suecosta em: Dezembro 18, 2009
Coisas comuns como ter nascido numa família de classe média alta e ter sido educada para ser independente, poderiam não fazer grande diferença, caso nós não estivéssemos falando de Shirin Neshat, artista plástica iraniana. Que por sinal viu na arte a forma de fazer as pazes com a sua própria cultura. Segundo a mesma, seu pai romantizou tanto o ocidente que rejeitou seus próprios valores, e acabou diluindo sua identidade na porção de conforto encontrada do lado de cá.
Neshat saiu do Irã para estudar arte em Los Angeles, e fez tudo direitinho, cursou graduação e mestrado. Depois se mudou para Nova York e trabalhou na Storefront Art and Architecture e lá teve contato com um mundo de pessoas diferentes, parte importante na construção da sua arte de fazer arte. Foi então que cansada de tanta teoria, resolveu se dedicar ao outro lado da moeda, a prática, e em 1990 a boa filha a casa torna, neste caso o Irã.
Seu primeiro trabalho maduro é a série fotográfica intitulada “Women of Allah”, uma colcha de retalhos pós-moderno, retratada na força da delicadeza de mulheres mulçumanas. Mas é quando a imagem se junta ao movimento, que Neshat encontra seu lugar como mais uma estrela, a brilhar no céu da arte contemporânea.
Seus vídeos são indiscutíveis quanto à discussão a cerca da convivência complexa entre os opostos no mundo de hoje, pegando como pano de fundo, óbvio, a sua própria cultura. Relação homem e mulher, claro e escuro, preto e branco, estática e movimento são a essência do trabalho desta artista.
No vídeo “Turbulent” quando se apropria do espaço de exibição e põe duas telas em lados opostos, obriga o expectador a escolher seu campo de visão, seu foco de atenção e conseqüentemente a sua narrativa. Brincando discretamente com a relação artista X expectador, num convite à sua participação na montagem da obra que lhe foi apresentada. Ou quando reúne vídeo e fotografia, estático e dinâmico, na vídeo- instalação “Zarin”.
No seu currículo, podem-se acrescentar alguns prêmios importantes como a Bienal Internacional de Veneza de 1999, com “XLVIII Turbulet and Rapture” e o Leão de Prata por melhor direção no Festival de Veneza em 2009 por “Women without men”, que a própria descreve como um trabalho de amor por seis anos e que fala para o mundo e também para o seu país.
País este que ela defende a qualquer custo, com direito a protestos como greve de fome na sede das Nações Unidas. E também faz questão de redefinir para o mundo, quando diz que tenta com sua arte “desembaraçar a ideologia do Islã”. E é aí que usando a sua arte ela tenta dar liberdade a prisão cultural iraniana, quase sempre estereotipada por nós.
Momento Pessoal: Até na hora da frescura a Neshat quer ser engajada, tanto é que no festival de Veneza ela pisou o tapete vermelho dentro de um longo verde belíssimo, detalhe, essa é a cor símbolo da oposição iraniana, tá meu bem?
Publicado por: suecosta em: Dezembro 16, 2009
Publicado por: suecosta em: Dezembro 11, 2009
Publicado por: suecosta em: Dezembro 3, 2009
Publicado por: suecosta em: Novembro 30, 2009
Ser mulher é complicado, fato, ser mulher e negra na África do Sul, pior ainda, e foi na busca do resultado dessa complexidade na produção artística feminina, no mais velho dos velhos mundos, que cheguei a Tracey Rose, formada pela escola de arte de Joanesburgo, ganhou completamente meu respeito quando disse: “Quando você faz uma obra de arte não está apenas fazendo algo naquele momento, está contribuindo para toda uma história”.
Falando em história, o sinal de fumaça enviado das fogueiras de sutiens queimados na década de 70, por nossas tão queridas feministas, foi recebido com menos fervor pelas mulheres africanas. Afinal, elas estavam muito ocupadas com a recém independência de alguns estados, e óbvio Apartheid. Resultado é que na década de 90 a cada 38 segundos uma mulher é violentada na África do Sul.
O que fazer? Chutar um pau, nem que seja o da barraca, e é com essa intenção que Tracey entra no mundo da arte contemporânea. Com o vídeo-instalação super falado “TKO” ou o vídeo “Love me, fuck me”, ela mostra essa luta desleal que as mulheres enfrentam contra o inimigo invisível. Em The Kiss ou The Thinker (a estatueta foi encontrada no lixo), ironiza o estabelecido, assim como em “Fur Lucie”, onde tenta recontar uma história bem conhecida, de que história estou falando? A Bíblia!
Essencialmente conceitual como ela mesma se define, Tracey está a fim de quebrar regras meeeesmo, e desafia inclusive o mercado, pois dá a obra ou ao conceito o tempo que precisar para ser elaborado, e isso quase nunca é menos do que dois anos. Já deixou de participar de exibições em galerias por perceber que certos curadores tratam seu trabalho como simples bens de consumo, a moça é super engajada.
Momento pessoal: Ela entrou na minha lista das “que me levaram as lágrimas”, por Span II (Foto acima), uma instalação onde a mesma nua e careca ficava dentro de uma caixa de vidro, tentando remendar seus próprios cabelos. Se você riu ao ler isso, volte e leia de novo, dessa vez usando o cérebro. A nudez na caixa transparente é a mais perfeita representação da fragilidade, e o cortar os cabelos, assim como Frida Kahlo em seu “Auto-retrato com cabelo cortado”, é a negação da feminilidade, que muitas vezes nos é necessária como forma de proteção, e no caso de Tracey vai mais além, afinal o cabelo também tem uma função de identidade racial. Pra mim Span II é mostrar de frente ao mundo, que mesmo estando completamente desprotegidas, elas tentam, por mais inútil que isso pareça se afirmar como mulher e negra no mundo que as vira a costa.
Publicado por: suecosta em: Novembro 25, 2009
Psycho Killer – Talking Heads
I can’t seem to face up to the facts
I’m tense and nervous and I can’t relax
I can’t sleep, ’cause my bed’s on fire
Don’t touch me I’m a real live wire
Psycho killer, qu’est-ce que c’est
Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Better
Run Run Run Run Run Run away
Psycho killer, qu’est-ce que c’est
Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Better
Run Run Run Run Run Run away
You start a conversation you can’t even finish it
You’re talkin’ a lot but you’re not sayin’ anything
When I have nothing to say my lips are sealed
Say something once, why say it again?
Psycho killer, qu’est-ce que c’est
Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Better
Run Run Run Run Run Run away
Psycho killer, qu’est-ce que c’est
Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Better
Run Run Run Run Run Run away
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Até o fim do mundo dorme sobre o meu seio, sonhando de sonhar…
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Fotografia: Sylvain Norget (meu alter-ego)
Publicado por: suecosta em: Novembro 23, 2009
Tá gravando? 1.2.3. Eu posso, o que? Tudo, de ir atrás do pote de ouro no final do arco-íres a te pedir em casamento. Posso. Sou livre pra dar salto alto de salto alto, agulha, 19 cm, do tamanho do meu pau. Eu posso. Posso querer qualquer coisa, qualquer um, a qualquer hora, todo dia o dia inteiro. E isso inclui tu mulher. Eu posso inclusive falar errado, de trás pra frente, de ponta a cabeça, a toda hora e para sempre. Dizer que eu te amo enquanto eu cago. Tomar sorvete com catchup, sopa de cadarço e mingau com macarrão. Tudo posso naquilo que me fortalece, naquele que me esquece e no qual eu não acredito. Eu posso porque é simples poder, basta um pronome, eu, e um verbo, quero.
Fotografia: Sylvain Norget (meu alter-ego e meu mais novo “até que a morte nos separe”, porque eu também posso)
Publicado por: suecosta em: Novembro 18, 2009
Apesar de não ser necessariamente artista, a arte moderna não seria a mesma sem ela, por isso, poucas mulheres fizeram mais artes do que Peggy Guggenheim, sobrinha de Solomon Guggenheim grande colecionador de arte, e criador da fundação Guggenheim. Que por causa deles o museu Guggenheim de Nova York se chama Guggenheim (A repetição foi proposital, adoro falar Guggenheim).
Tudo começa quando a pequena Peggy, com 14 anos, perde seu pai um empresário bem sucedido, no naufrágio que levou junto também o Leonardo DiCaprio e mais milhares de figurantes, todos ao som de Celine heDionda no naufrágio do Titanic em 1912. E quando ela disse: “Suponho que nunca me recuperei realmente, pois desde então procurei um outro pai”, justificou os meios e os fins de toda a sua história.
Com dinheiro no bolso, jovem e se sentindo abandonada, o caminho provavelmente seria o lado negro da força, e foi à busca por boas companhias para dividir whisky e batata-frita (itens sempre presentes em suas festas) que Peggy Guggenheim cai nos encantos do mundo das artes e/ou dos artistas.
Década de 20, feminista, um pouco rica, querendo farra e muita arte, pra onde será que ela decide ir morar? Paris, óbvio, e lá na companhia do paupérrimo Marcel Duchamp (Foto acima) começa sua entrada triunfante ao mundo das artes, ele não só a apresenta as pessoas como também passa horas divagando sobre conceitos, estilos e a tua mãe também (NOTA: que chato deveria ser ouvir Duchamp).
Já em 1938 se muda com seu então marido o escultor e escritor Laurence Vail para Londres, onde junto com Jean Cocteau (foto acima) abre sua primeira galeria, com direito a exposições de Jean Cocteau, Kandinsky, Picasso, Alexander Calder, Max Ernst, George Braque, John Tunnard, Constantin Brancusi e mais algumas estrelas do céu modernista.
Depois de perceber que a galeria mesmo famosa não dava lucros, resolveu investir no projeto de ter um museu, e com o objetivo de comprar um quadro por dia, ela começa de verdade a sua coleção e a patrocinar muitos pintores. E na eterna busca de um pai, Guggenheim acaba sendo a grande mãe, alguns estudiosos chegam a afirmar que o Cubismo, Surrealismo e Expressionismo Abstracto só foram possíveis graças as suas “tardes de compras”.
Resultado da feira realizada: 10 Picassos, 10 Ernsts, 48 Mirós, 4 Magrittes, 3 Man Rays, 3 Dalís, 1 Klee, 1 Wolfgang Paalen, 1 Chagall e mais outras coisinhas. Tudo para o novo espaço que ela estava preparando para abrir em Paris, mas que foi cancelado por conta da invasão Alemã.
Como uma boa judia, ela sai de fininho da Europa e volta pra Nova York, e em 1942 abre o The Art of This Century Gallery. Outra galeria, outro marido, dessa vez Max Ernst. O espaço tinha 3 galerias, sendo que duas eram apenas para exposição de obras cubistas e surrealistas e apenas uma para o comércio propriamente dito. E graças a esse espaço, gente como Pollock (meu pintor preferido e ao lado dela na foto) pode trabalhar em paz, e os abstratos enfim ganharam forma.
Mas como alegria de pobre e de artista dura só um capítulo e não o livro todo, ao divorciar-se de Max, em 1947 ela fecha a galeria, e volta para a Europa, em especial a Itália, onde vai viver pra sempre, e passa a trabalhar na divulgação da sua coleção. Trabalho muito bem feito visto que seu acervo já foi exibido por todos os grandes museus da Europa, América Latina e EUA, e hoje o Peggy Guggenheim Collection, é um dos museus mais importantes da Itália.
Se eu fosse seguir a ordem certa agora seria o parágrafo sobre a reta final da vida da bunita e sobre sua morte solitária em Veneza, mas não, a mulher que lançou Pollock, sustentou o Surrealismo, foi amiga intima do Duchamp e tinha verdadeira adoração por óculos escuros, não merece ter essa parte da vida contada, pelo menos não por mim.
Momento Pessoal1: Pollock me trouxe a Peggy, e a biografia da Peggy me trouxe a mim mesma, pois a ficha técnica dela segundo biógrafos e amigos era: sem muita auto-estima, complexa, contraditória, afundada na melancolia e em seguida na entrega desmedida ao riso. Algumas vezes agressiva, mas para os amigos a generosidade era inquestionável. Na verdade no intimo não passssou de uma menina que sempre procurou o amor.
Momento Pessoal 2: Clique aqui e dê uma passeadinha pela casa/museu/paraíso de Peggy Guggenheim, sem precisar ir a Itália. É o prêmio pra quem leu até o final.
Publicado por: suecosta em: Novembro 16, 2009

Em fevereiro de 1998
___ Quando eu te vejo eu sinto uma coisa única, meu peito parece que vai explodir de tanta felicidade.
___ São só hormônios…
___ Depois que tu começaste a estudar biologia tudo é sem graça.
___ Eu acho a reação dos hormônios uma coisa legal, não é sem graça, é como o corpo fala.
___ Então vou reformular, quando eu te vejo meus hormônios querem simplesmente me explodir só pra fugirem de mim e correr pra ti, é o meu corpo falando, é com ela que eu quero ficar.
Em janeiro de 1996
__ Tu estás gostando muito dele?
__ Não o suficiente pra desistir de nós, desculpa, tu ¬ainda consegue me amar?
__ Pergunta difícil de resposta fácil. Sim. Agora me beija antes que eu me arrependa.
Em outubro de 1994
___ Eu não posso te prometer fidelidade, muito menos serei o melhor homem do mundo. A minha garantia é zero, a única coisa que eu posso garantir é que eu quero, caralho como eu quero, poder ficar velinho e dizer que eu tive A história de amor, com uma mulher mágica que eu conheci, criatura feita de pura energia, com um abraço que aconchega até a alma, que tem uma boca pequena, macia e que de lá sempre sai alguma coisa que eu adoro escutar. E aí? Quer ser minha?
___ Poderias me perguntar qualquer coisa de roubar a matar, a reposta seria sempre sim, não tenho mais escolha, estou apaixonada.
Fotografia: Pascal Renoux